Pro pasto que me conduziu não tinha grama, não tinha nada.
No mar que você me afogou não tinha água, nem tinha sal.
Pra casa onde eu fui dormir só tinha cama e teto.
Rega mais. Põe-me no sol. Troca minha terra, meu chão.
Liberta-me. Me ensina a voar. Voa, pássaro preto. Voa.
Vai pintar de amarelo o rio. Caiar o muro.
Bom Dia, meu bem. Entra. Senta. Toma um chá. Dorme comigo.
Prepara um café, põe uma margarida na leiteira e me serve a bandeja na cama. Diz que me ama. Faz-me rir e acreditar que se importa comigo.
Finge que vai embora, depois fica. Faz como toda vez que vem.
Muda o tempo. Molha o quintal.
O rodo do tempo trata de secar o quintal da vida.
E a vassoura da vida varre pra debaixo do tapete o pó do passado.
- A vida precisa de pouco, meu bem: Só de água, amor e segredos.
terça-feira, 25 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Estrada
Gramática, Matemática... são coisas tão nostálgicas.
Predicado, Regra de três... Prometo que vou me esquecer de você de uma vez.
Eu pego o ônibus e ele faz a curva, mudando a direção.
Isso me fez lembrar do nosso amor que também decidiu mudar de lugar.
Predicado, Regra de três... Prometo que vou me esquecer de você de uma vez.
Eu pego o ônibus e ele faz a curva, mudando a direção.
Isso me fez lembrar do nosso amor que também decidiu mudar de lugar.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Breve Outono
O mês de abril chegou sorrateiro como o sono.
O tempo aberto, o clima ameno, o céu azul. Não estava quente, nem frio.
A luz do sol refletia na calçada de mármore da sacada.
E as folhas das palmeiras formavam uma sombra engraçada: Um monte de dedos delgados se entrelaçando.
O cachorro fazia a sesta da tarde. Com os olhos fechados, a boca, encostada no chão de terra, inflava e desinflava, emitindo leves gritinhos, como se sonhasse com algo. Bicho sonha? Devia.
O sonho nada mais é do que uma realidade desejada.
Foi nessa estação transitória que eu me encontrava.
Sentado no canto da varanda numa cadeira de balanço,
tinha visão do quintal todo.
Tinha a sensação do vasto limitado.
Limitado pelos muros e pela minha visão.
Foram nestas condições que ponderei sobre minha realidade:
Eu, sozinho. Você, não.
Eu sempre estive do seu lado e você do lado de outro.
Sempre existiam duas pessoas do seu lado.
Eu sempre era uma delas.
O outro sempre mudava.
Sempre quis te dizer que te amava. Sempre.
Mas não dava porque você sempre estava acompanhada.
Eu sempre esperava a próxima estação.
Talvez com os novos tempos chegando, Imaginava que isso trouxesse uma brisa de renovação e coragem.
Os tempos passaram e o vento mudou nosso amor de direção.
Eu não falei de mim pra você.
E você não me deu tempo pra dizer que te amo.
O tempo aberto, o clima ameno, o céu azul. Não estava quente, nem frio.
A luz do sol refletia na calçada de mármore da sacada.
E as folhas das palmeiras formavam uma sombra engraçada: Um monte de dedos delgados se entrelaçando.
O cachorro fazia a sesta da tarde. Com os olhos fechados, a boca, encostada no chão de terra, inflava e desinflava, emitindo leves gritinhos, como se sonhasse com algo. Bicho sonha? Devia.
O sonho nada mais é do que uma realidade desejada.
Foi nessa estação transitória que eu me encontrava.
Sentado no canto da varanda numa cadeira de balanço,
tinha visão do quintal todo.
Tinha a sensação do vasto limitado.
Limitado pelos muros e pela minha visão.
Foram nestas condições que ponderei sobre minha realidade:
Eu, sozinho. Você, não.
Eu sempre estive do seu lado e você do lado de outro.
Sempre existiam duas pessoas do seu lado.
Eu sempre era uma delas.
O outro sempre mudava.
Sempre quis te dizer que te amava. Sempre.
Mas não dava porque você sempre estava acompanhada.
Eu sempre esperava a próxima estação.
Talvez com os novos tempos chegando, Imaginava que isso trouxesse uma brisa de renovação e coragem.
Os tempos passaram e o vento mudou nosso amor de direção.
Eu não falei de mim pra você.
E você não me deu tempo pra dizer que te amo.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
"RICIFE"
Quem sabe outra hora a gente se encontra por aí
andando pelo centro da cidade.
Atravessando as pontes que cortam os rios e ligam as duas metades dela.
O que fez a gente se perder de vez?
Não foi o meu ciúme?
Ou meu péssimo costume?
de me banhar do perfume
repulsivo da indiferença?
O céu do centro da cidade não está mais azul
como o céu de quando a gente se conheceu.
Não reconheço mais o cinza fumaça
Se é poluição ou a chuva que se apressa.
Mas eu continuo andando alheio aos carros no centro da cidade
que já não correm como antigamente.
Muitos que são, competem com tanta gente.
Que sabe lá o que sentem, mentem.
As árvores do centro da cidade respiram menos que antes.
São menores que os prédios de azulejo que cresceram paralelos adiante.
Mas continuam sendo maiores que nós e as crianças
que nelas trepam para chupar mangas espada lá no alto.
As ruas do centro da cidade não deixam mais meus passos marcados.
São largas e compridas. Cheias de lojas e sujeira no chão.
Não me reconheço mais no centro da cidade
Eu não tenho mais identidade.
Agora faço parte de um monte de gente que tiram da cidade o seu nome: Cidadão.
Deve ter sido por isso que a gente não se encontrou mais.
É que mudaram o centro da cidade.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Poeira
A quantidade de poeira que cobre como um tapete cinzento os móveis do meu quarto são sintomas do desinteresse pelas coisas que acontecem á minha margem.
As decepções sofridas em vários campos da minha vida talvez me tenham feito ficar inerte e insensível aos problemas alheios.
O egoísmo, se não chegou no seu limite tolerável, vai daqui a alguns dias transbodar, como o gás do refrigerante que cresce dentro do copo até manchar a toalha de mesa.
A toalha da minha mesa.
Amizade, família, trabalho, vizinhos, colegas, cúmplices, amores, inimigos, amantes, empregados e todas as outras coitadas criaturas que estão próximas a mim e não se encaixam nas categorias do meu vocabulário pobre e mesquinho.
Todos saem manchados do meu egoísmo em excesso.
Ah... Pudera alguém perceber e vivenciar meus problemas.
Entendê-los.
Esta é a desculpa esfarrapada de todos os egoístas incompreendidos, todos os problemáticos incompreendidos, todos os neuróticos incompreendidos, todos os depressivos incompreendidos.
A deselegância do próximo não é a ignorância do diagnóstico.
É a ignorância da compreensão.
É ouvir um enfermo e achar que o que ele sente é frescura.
Peço o perdão de todos pela intolerância que cultivei desde moço.
Não soube colocar nela cabresto.
Cresceu e assoberbou-se, enraizando no meu ser a falta de empatia.
Perdoem-me.
Quem sabe um dia se recordem de alguma virtude minha.
Quando este dia chegar, acreditem, farão anos que já não existo.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Trilhos
Parado na estação, notei que haviam dois trens imóveis a cada lado.
Um acabava de chegar e abria as portas para o enxágue de gente oriundas do centro.
O outro, também de portas abertas, aguardava a chegada e entrada dos que queriam se
distanciar do bairro.
Eu havia saído do primeiro trem.
Senti uma vontade súbita de não subir a escada rolante que me levava à saída da estação.
Quis ficar. E por um instante meditei na hipótese de voltar para onde havia acabado de vir. Pegar o trem de retorno. Enquanto a multidão se apressava para chegar em casa, se atropelando e correndo rumo ao êxodo, eu parei. Plantado como pé de abacate com meu agasalho verde, senti o vento gelado do frio que fazia na estação sem paredes. Cheguei a dar dois passos em direção ao trem. Recuei. Enfim, decidi que não adiantava retardar a saída, porque uma hora ou outra teria que sair dali. Porque a estação, uma hora, fecha.
Na vida existem momentos que parecem nos convidar a refletir nosso caminho - o percorrido, e o que temos que percorrer. O Passado, o presente e o futuro formam uma trindade singular, rara e intolerante. A nostalgia vem à tona nos
instigando a relembrar a vida pretérita e sentir prazer daquilo que já passou. Rememoramos as risadas, os bons momentos e como de costume, coisas indesejáveis e incômodas fazemos questão de minimizar. Daí vem um desejo louco e fisicamente impossível de querer que o tempo volte. Mas é no instante em que nos damos conta dessa irrealidade, que percebemos nossa atual condição: O presente. O agora. O presente que não para, que constantemente nos empurra à frente, o presente efêmero e por vezes injusto que não nos deixa refletir para tomar decisões acertadas. Seguimos adiante,deixando o passado para trás, o pleonasmo da vida, e rumamos ao futuro que nos aguarda,firme e impreterível, exato e incerto. O paradoxo da vida, porque é assim que tem que ser.
Os dois trens: o de chegada e o de partida, se vão.
E então, subimos a escada rolante da estação de nossas vidas impelidos pela força do tempo em direção ao duvidoso, porém delicioso futuro que aguarda ansiosamente nossa chegada. Subimos as escadas da saída porque um hora ou outra, a estação da vida se fecha.
Um acabava de chegar e abria as portas para o enxágue de gente oriundas do centro.
O outro, também de portas abertas, aguardava a chegada e entrada dos que queriam se
distanciar do bairro.
Eu havia saído do primeiro trem.
Senti uma vontade súbita de não subir a escada rolante que me levava à saída da estação.
Quis ficar. E por um instante meditei na hipótese de voltar para onde havia acabado de vir. Pegar o trem de retorno. Enquanto a multidão se apressava para chegar em casa, se atropelando e correndo rumo ao êxodo, eu parei. Plantado como pé de abacate com meu agasalho verde, senti o vento gelado do frio que fazia na estação sem paredes. Cheguei a dar dois passos em direção ao trem. Recuei. Enfim, decidi que não adiantava retardar a saída, porque uma hora ou outra teria que sair dali. Porque a estação, uma hora, fecha.
Na vida existem momentos que parecem nos convidar a refletir nosso caminho - o percorrido, e o que temos que percorrer. O Passado, o presente e o futuro formam uma trindade singular, rara e intolerante. A nostalgia vem à tona nos

instigando a relembrar a vida pretérita e sentir prazer daquilo que já passou. Rememoramos as risadas, os bons momentos e como de costume, coisas indesejáveis e incômodas fazemos questão de minimizar. Daí vem um desejo louco e fisicamente impossível de querer que o tempo volte. Mas é no instante em que nos damos conta dessa irrealidade, que percebemos nossa atual condição: O presente. O agora. O presente que não para, que constantemente nos empurra à frente, o presente efêmero e por vezes injusto que não nos deixa refletir para tomar decisões acertadas. Seguimos adiante,deixando o passado para trás, o pleonasmo da vida, e rumamos ao futuro que nos aguarda,firme e impreterível, exato e incerto. O paradoxo da vida, porque é assim que tem que ser.
Os dois trens: o de chegada e o de partida, se vão.
E então, subimos a escada rolante da estação de nossas vidas impelidos pela força do tempo em direção ao duvidoso, porém delicioso futuro que aguarda ansiosamente nossa chegada. Subimos as escadas da saída porque um hora ou outra, a estação da vida se fecha.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Bumerangue
Num dia de semana, Jonas, ainda pirralho, lançava o bumerangue pelos céus do parque.
Não entendia porque todas as vezes tinha de buscá-lo longe para relançá-lo, se o objetivo do artefato era voltar para as mãos do arremessador.
A insatisfação de não ver o bumerangue fazer a sua parte, fez Jonas guardá-lo no seu baú de brinquedos em meio aos outros.
Jonas cresceu. Se desenvolveu e apaixonou-se. Morava sozinho num apartamento pequeno o suficiente para cabê-lo junto com suas idéias.
Ainda se convalescia do fim do namoro de 2 anos e meio, ou quase isso (nunca sabemos exatamente o tempo do amor) quando apareceu Lígia. Uma estagiária de corpo delgado, claro e pequeno, olhos verdes e cabelo ralo e fino.
Os dois rapidamente encontraram pontos em comum. Tantos pontos evoluiram para uma ligação tão estreita que impeliu Jonas a covidá-la como hóspede por tempo indefinido em seu apartamento.
Ambos estavam felizes com o andamento de suas vidas conjugadas. Dormiam, acordavam, escovavam os dentes, trabalhavam juntos.
Um belo dia de semana depois da janta insossa preparada por Lígia, o interfone tocou.
-Seu Jonas? É a Dona Melissa, pode deixar subir?
Ouvir aquele nome de novo parecia assusutador mas a curiosidade em saber o motivo da revisita o fez descer até a portaria do prédio. Vestido com um samba-canção e uma regata branca pouco larga, o que indicava que o sono estava iminente, Jonas viu a ex aos prantos pedindo pra subir e conversarem. Ele se mostrava incrivelmente surpreso com aquele pedido porém negou-se a deixá-la subir.
Alguns meses antes Melissa havia ido embora sem nenhum diálogo, a não ser um monólogo escrito por ela mesma, num pedaço de papel rasgado da agenda do ano anterior. Agora, ela pedia pra voltar. Seu coração não deveria titubear. Mas titubeou.
No dia seguinte se encontraram no lugar marcado ainda naquela noite da portaria. Durante a conversa, Jonas não conseguia se concentrar nas desculpas vomitadas com saliva que saiam da boca de Melissa. Pensava no dia que ela se foi, pensava em Lígia e pensava naquela situação ridícula em que se encontrava. Decidiu, convictamente, que não havia volta.
As pessoas vem e vão. Vão quando não queremos e vem quando não esperamos.
Ao chegar em casa, de volta do encontro, Jonas procurou pelo bumerangue de criança. Achou. Agora, reparava naquele brinquedo com outros olhos.
Não entendia porque todas as vezes tinha de buscá-lo longe para relançá-lo, se o objetivo do artefato era voltar para as mãos do arremessador.
A insatisfação de não ver o bumerangue fazer a sua parte, fez Jonas guardá-lo no seu baú de brinquedos em meio aos outros.
Jonas cresceu. Se desenvolveu e apaixonou-se. Morava sozinho num apartamento pequeno o suficiente para cabê-lo junto com suas idéias.
Ainda se convalescia do fim do namoro de 2 anos e meio, ou quase isso (nunca sabemos exatamente o tempo do amor) quando apareceu Lígia. Uma estagiária de corpo delgado, claro e pequeno, olhos verdes e cabelo ralo e fino.
Os dois rapidamente encontraram pontos em comum. Tantos pontos evoluiram para uma ligação tão estreita que impeliu Jonas a covidá-la como hóspede por tempo indefinido em seu apartamento.
Ambos estavam felizes com o andamento de suas vidas conjugadas. Dormiam, acordavam, escovavam os dentes, trabalhavam juntos.
Um belo dia de semana depois da janta insossa preparada por Lígia, o interfone tocou.
-Seu Jonas? É a Dona Melissa, pode deixar subir?
Ouvir aquele nome de novo parecia assusutador mas a curiosidade em saber o motivo da revisita o fez descer até a portaria do prédio. Vestido com um samba-canção e uma regata branca pouco larga, o que indicava que o sono estava iminente, Jonas viu a ex aos prantos pedindo pra subir e conversarem. Ele se mostrava incrivelmente surpreso com aquele pedido porém negou-se a deixá-la subir.
Alguns meses antes Melissa havia ido embora sem nenhum diálogo, a não ser um monólogo escrito por ela mesma, num pedaço de papel rasgado da agenda do ano anterior. Agora, ela pedia pra voltar. Seu coração não deveria titubear. Mas titubeou.
No dia seguinte se encontraram no lugar marcado ainda naquela noite da portaria. Durante a conversa, Jonas não conseguia se concentrar nas desculpas vomitadas com saliva que saiam da boca de Melissa. Pensava no dia que ela se foi, pensava em Lígia e pensava naquela situação ridícula em que se encontrava. Decidiu, convictamente, que não havia volta.
As pessoas vem e vão. Vão quando não queremos e vem quando não esperamos.
Ao chegar em casa, de volta do encontro, Jonas procurou pelo bumerangue de criança. Achou. Agora, reparava naquele brinquedo com outros olhos.
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- Thiago.Araujo
- Sou aquilo que os outros dizem quem sou. Afinal, acreditam mais neles que em mim.


